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Porto
Covo, 18 Julho 2008, 23h00. Prima
da mais conhecida diva cabo-verdiana,
Herminia só tem com Cesária Évora mais
duas coisas em comum além do sangue: o
talento comovente e uma vida inteira de
pobreza antes que o mundo reparasse
nela. Nascida em 1942 na capital musical
de Cabo Verde, São Vicente, Herminia
interessa-se cedo pela música, mas é só
depois da morte do pai, quando vai viver
para a ilha do Sal, que começa a cantar.
Fá-lo na rua, com músicos ambulantes, em
cafés, em todos os lugares onde for
preciso, porque tem oito filhos para
criar. Nunca renegará essas origens e a
voz com que ainda canta é a voz natural
que sempre foi a sua, não a voz suave,
grave de fumo, de Cesária, mas uma voz
aguda, próxima do pregão e do pranto,
que aprendeu a usar com a doçura de quem
canta uma cantiga de embalar. Nos palcos
internacionais a vida de Herminia só
começa já perto dos 60 anos, depois de
gravar o disco “Coraçon Leve”, em 1998.
Apelidada de “Edith Piaf de Cabo Verde”,
Herminia vem a Sines com um novo disco
da bagagem (“Do Sal”, 2006), acarinhado
por críticos e público de todas as
partes do mundo. |