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A Barreira do Som:
Seminário "Música, cultura e nação" |
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Uma discussão sobre as raízes do
fenómeno da "world music" e as
identidades musicais na era da
globalização. |
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Centro de Artes de Sines, 16 Julho
| Organização: Câmara Municipal de
Sines) / INET (Instituto de
Etnomusicologia da Universidade Nova de
Lisboa) | Coordenação Científica: Manuel
Deniz Silva | Entrada livre
Desde há alguns anos, os sons que nos
vão chegando dos quatro cantos do mundo
têm mudado de estatuto. O interesse
etnográfico pelas práticas musicais dos
povos não-europeus foi pouco a pouco
sendo substituído pelo aqui e agora de
uma nova experiência de escuta, que se
quer aberta à diversidade das práticas
sonoras, para lá das fronteiras
políticas e culturais. É a esta
tendência, a este ideal de uma música
"sem barreiras", que se tem dado o nome
de "world music".
Estranhamente, este fenómeno tem
merecido pouca reflexão por parte das
ciências humanas, e em particular pelas
que se dedicam precisamente ao estudo
das práticas musicais. Várias razões
explicam este incómodo:
por um lado, a "world music" foi antes
de mais uma invenção da indústria
cultural, reunindo um universo
heteróclito de práticas musicais, e, por
outro, nela confluem e se projectam um
conjunto confuso de discursos de
estatuto muito diferente
(pós-modernismo, multiculturalismo, New
Age, ecologia, pacifismo, ajuda
humanitária, direitos humanos, etc.). As
tensões que percorrem esta nova maneira
de ouvir e fazer música são, no entanto,
fundamentais para a compreensão da nossa
escuta contemporânea. O que é a "música
do mundo"? Uma procura de autenticidade
ou um fascínio pelo híbrido? Uma aposta
na diversidade ou uma tendência para a
normalização? A recusa da música
comercial ou a criação de um novo
mercado discográfico? Qual a sua relação
com as novas tecnologias de composição e
de escuta? De onde vêm, qual a sua
história, quais as suas raízes? Que
efeito têm nas identidades musicais
nacionais? E o que é isto de identidades
musicais nacionais? E de que "mundo" nos
falam estas músicas? O da economia
neo-liberal globalizada, ou o das
resistências alter-mundialistas? Do fim
das barreiras entre os povos ou do
refúgio identitário? Este encontro
pretende reunir especialistas da
etnomusicologia, da musicologia e de
outras ciências sociais para discutir
algumas das questões levantadas pela
ambiguidade deste processo, associando
igualmente à discussão os diferentes
actores – músicos, críticos ou
programadores – que têm procurado trazer
e difundir as "músicas do mundo" no
nosso país.
[Manuel Deniz Silva]
12h00-13h30: O QUE É A "WORLD MUSIC"?
- Manuel Deniz Silva (INET-MD):
Globalizações musicais
- Pedro Moreira (INET-MD): “Gravando a
diferença": uma perspectiva histórica da
World Music
15h30-17h30: MÚSICA, CULTURA E NAÇÃO
- Salwa Castelo Branco (INET-MD): Os
processos de folclorização musical em
Portugal
- Nuno Domingos (SOAS, Londres):
Produção cultural e Ideologia: o caso da
ópera do Trindade (1963-1975)
- José Neves (ICS-UL): Um Mundo de
Culturas: Fernando Lopes-Graça e outros
Intelectuais Comunistas
18h00:
Mesa-Redonda: Música Portuguesa e
globalização
Com José Mário Branco (músico),
Chullage (músico), Pedro Rodrigues
(musicólogo e jornalista do Público). |
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